terça-feira, 6 de setembro de 2011

Chile, Patagónia

Em Punta Arenas, no centro da praça Muñoz Gamero, ergue-se, do alto do seu pedestal, a figura imponente do português Fernão de Magalhães. Enquanto adolescente admirava o perfil desse intrépido navegador na estátua erigida na praça do Chile, em Lisboa. Não sabia ainda que esta, doada por uma empresa chilena em 1950, é uma réplica modesta da primeira. Imaginava-o então no interior do seu estreito, navegando a todo o pano por entre vagas monumentais, a afagar acerados rochedos e a fintar tempestuosos ventos. Sentia-me invadido por um sentimento de orgulho. Sonhava que, um dia, também eu, anonimamente, viajaria por aquelas paragens.

A chegada

Santiago cresceu numa imensa planície, na zona central do país, que vai desde a cordilheira dos Andes até ao oceano Pacífico. Fundada, em 12 de Fevereiro de 1541, por Pedro de Valdivia, a quem Pizarro, depois do fracasso de Diego de Almagro, incumbiu de conquistar o Chile, é hoje uma metrópole com quase cinco milhões de habitantes, a quinta maior da América do Sul. Os gigantes cumes andinos, enfarpelados de branco, fechando a leste a linha do horizonte, são uma referência constante ao longo de toda a capital. A praça de Armas, o tradicional centro histórico, com os seus pregadores religiosos, as filarmónicas de coreto, os vendedores ambulantes e o curioso clube de xadrez local, onde os jogadores se pelejam continuamente, ao ar livre, de manhã à noite, é o verdadeiro coração da cidade. Rodeada por magníficos edifícios coloniais, como o Correo Central, o palácio La Real Audiência, onde funciona o Museo Histórico Nacional, a Municipalidad e a Catedral, é um dos locais mais atraentes de Santiago. Meio quarteirão a oeste a Real Casa Aduana alberga o incontornável Museo de Arte Pré-Colombiana, com a sua importante colecção de artesanato, que abrange a mesoamérica e toda a região andina. Caminhando em direcção a sudoeste chega-se à praça La Constitución e dá-se, de frente, com o majestoso Palacio La Moneda, finalizado no ano de 1805, da autoria do arquitecto Toesca. Sendo, desde meados do séc. XIX, a residência presidencial, foi bastante maltratado pelo golpe de estado de 11 de Setembro de 1973, que levaria o General Pinochet ao poder. As suas tropas atacaram e invadiram o edifício tendo deposto o governo de esquerda de Salvador Allende, que, segundo a versão oficial de então, se suicidou durante o confronto. Junto à praça pode-se apreciar o respeitável Hotel Carrera, um dos mais luxuosos de Santiago, que, em 1985, ficou parcialmente destruído com o rebentamento de um petardo no seu interior. Montado o engenho, por opositores ao regime, dentro de um quarto, tinha como alvo o gabinete do ditador no La Moneda. Falhou no entanto a janela de onde deveria sair e explodiu contra uma das suas paredes. O culto e afável gerente do hotel aonde me alberguei, um dos primeiros exilados dessa época de terror, tão bem retratados no filme Missing, de Costa Gravas, recordou, com amargura, esse e outros episódios do passado recente do seu país.



Seguindo pela avenida General O´Higgins, um dos herói da independência da República do Chile e seu presidente entre 1918 e 1923, e atravessando o rio Mapocho, que secciona a cidade ao meio, alcança-se o Bairro Bellavista. Aí, na praça Caupolicán, tomei o íngreme funicular, cuja paragem intermédia dá acesso ao Jardim Zoológico, para a zona mais elevada do cerro de San Cristóbal, onde se ergue uma estátua branca, com 36 metros de altura, da Virgem Maria. Pude observar, pois nesse dia a cidade não estava envolta pela habitual nuvem de poluição, a métrica ortogonal das suas ruas, os modernos, e maioritariamente feios, arranha-céus, de braço dado com os edifícios coloniais, e os Andes, sempre eles, como pano de fundo. Descendo pelo mesmo caminho fiz uma visita à La Chascona, alcunha de Matilde Urrutia, aonde funciona a Fundação Neruda. A casa, com uma decoração interior vistosa, foi construída pelo poeta para a sua amante. Três corpos independentes, demarcando claramente as zonas de lazer, de repouso e de trabalho, separados por jardins, num acidentado declive, a paredes-meias com o zoo, moldam um espaço repousante e agradável. É nesta zona residencial de casas coloridas, recheada de cafés, bares e discotecas, que a vida, à noite, se anima. Perto, o palácio de Bellas Artes, com as suas excelentes exposições temporárias, é desvio obrigatório.


Caminhando ao longo do rio pelo cuidado parque Forestal, desenhado por um paisagista francês, surge o Mercado Central. De influência britânica, com uma elegante estrutura de cobertura em ferro, manufacturada em Inglaterra, foi construído em 1872 e é um excelente local para se comprar vegetais, fruta e peixe. No outro extremo da Alameda, pelo qual também é conhecida a avenida O´Higgins, a oeste, vale a pena visitar o parque Quinta Normal com os seus diversos museus. O mais interessante é o Museo Nacional de História Natural, aonde se pode ver o corpo mumificado de uma criança sacrificada há cerca de quinhentos anos, descoberta no pico gelado de El Plomo, perto de Santiago, a cinco mil metros de altitude. Umas das curiosas atracções da cidade são os populares cafés, expressos, em que os empregados, todos mulheres, usam vestidos justos e curtíssimos que se moldam provocadoramente aos seus corpos. Através das várias agências de viagem existentes na cidade conseguem-se preços acessíveis para a ilha da Páscoa (Rapa Nui), com as centenas de místicas e colossais esculturas, as Moai, e para a ilha Robinson Crusoe, no arquipélago Juan Fernández. Foi nesta ilha deserta que, em 1704, desembarcou, do barco pirata Cinque Ports, o escocês Alexander Selkirk. Sobreviveu aí durante cinco anos antes de ser recolhido por uma outra embarcação. Daniel Dafoe, inspirando-se nessa aventura, escreveu o famoso livro Robinson Crusoe, que deu o nome à ilha. Perto de Santiago para além de Valle Nevado, uma das mais conceituadas estâncias de esqui da América, torna-se imprescindível visitar Valparaíso. 


Valparaíso, a cidade das 43 colinas, e a segunda maior do país, fica a pouco mais de uma hora, de autocarro, de Santiago. Desenvolveu-se ao longo do mar e expandiu, desordenadamente, para as encostas que o ladeiam. Do ponto de vista urbanístico a cidade possui uma organização quase medieval. As ruas, labirínticas, desenvolvem-se por entre escarpados e complexos cerros. Elas ramificam-se, entrelaçam-se, debruçam-se sobre precipícios, sobem, descem e sobem de novo, e desembocam, inesperadamente, em becos ou esconsos pátios. Sendo uma zona de frequentes sismos, cada novo abalo origina reconstruções caóticas, ou possíveis, criando renovados percursos, alterando a ordem dos antigos, num processo de contínua metamorfose. Para vencer o acentuado declive da cidade torna-se necessário recorrer aos elevadores, aos funiculares e aos milhares de escadas que aí existem. Pablo Neruda, que possuía uma casa no cerro Bellavista, escreveu, com autoridade: “Si caminamos todas las escaleras de Valparaíso habremos dado la vuelta al mundo”.


De todos os ascensores da cidade, o Polanco, construído nos finais do século passado, é, sem dúvida, o mais notável. O acesso inferior é feito através de um estreito túnel com 150 metros de comprimento e a cabina ascende cerca de 60 metros através de uma claustrofóbica galeria de pedra escura e húmida. Mas, também vale a pena explorar os ascensores Concepción, de 1883, o mais antigo de todos, e o Barón, inaugurado em 1906, que foi o primeiro a funcionar com um motor eléctrico, proveniente da Alemanha.


Para melhor se perceber a urbe é fundamental visitar os abundantes miradouros, como o Dimalow, o Gervasoni ou o Yugoslavo. Deste último, junto ao Palacio Baburizza, aonde funciona o Museo de Bellas Artes, apreciei, ao longe, o porto, o mais importante do país, e os enormes vasos de guerra aí ancorados.



Deliciei-me ainda com os amplos palácios coloniais, as cores espampanantes dos prédios, que se diz pintados com as sobras das tintas dos barcos, as cúpulas das igrejas, as praças e o inconfundível brilho dos carris dos funiculares. E a baía de Valparaíso, sempre presente, a estancar a torrente de casas, que se precipitam dos morros em sua direcção. Desci para a ampla praça Sotomayor, rodeada de belas mansões, e segui para a praça Matriz, o coração da cidade, com a sua venerada Igreja Matriz e o Mercado Central. Caía a noite em Valparaíso. Era tempo de partir e rumar em direcção a Sul.

Terra de Mapuche      
           
Próxima paragem; Puerto Montt, capital da Araucanía. Região de vetustas florestas, vulcões, lagos imensos, quedas de água e da outrora feroz resistência Mapuche, que, por diversas vezes, dizimou os espanhóis que tentavam colonizar este rico território. O poeta espanhol, Alonso de Ercilla, que os combateu durante um ano e meio, escreveu, em 1569, o poema épico La Auraucana, aonde conta os feitos destes grandes guerreiros, e particularmente dos célebres chefes Lautauro, Caupolicán e Colo Colo. Foi o exército deste último que, na batalha de Tucapel, em 1553, matou Pedro de Valdivia. Só em 1880 é que se estabeleceu a paz entre colonos e autóctones. Estes últimos, à semelhança do que aconteceu na américa do norte, foram empurrados para exíguas reservas. Puerto Montt, pitoresca cidade de chalés de montanha, com telhados de declive pronunciado e grandes varandas, que o recente crescimento imobiliário está a descaracterizar, foi fundada por colonialistas germânicos em meados do séc. XIX. O porto, Angelmó, a três quilómetros de distância, com o excelente mercado de marisco e os bazares de artesanato, é visita obrigatória. É daqui que sai o conhecido barco da Navimag, Puert Éden, com destino a Puerto Natales, que proporciona um cruzeiro de três dias pelos fantásticos fiordes da Laguna San Rafael. É também nos restaurantes perto do porto que se come o excelente Curanto, que é um guisado de marisco, peixe e carne. Próximo de importantes lagos e de alguns dos mais fascinantes vulcões da região e do arquipélago de Chiloé, Puerto Montt é um excelente ponto de partida para se explorar a Patagónia chilena.



Depois de uma breve paragem em Puerto Varas, a "cidade das rosas", com uma bem preservada arquitectura de influência alpina, na margem do lago Llanquilhe, segui em direcção ao Vicente Pérez Rosales, que foi, em 1926, a primeira área do Chile a ser decretada parque nacional. Passando pelas quedas do rio Petrohué, com as suas desassossegadas águas e escarpados morros de rocha basáltica, chega-se ao sítio de Petrohué, aonde se apanha o ferry que atravessa o lago Todos los Santos até Peulla. Pelo caminho fica a imagem mágica do alabastrino cone do vulcão Osorno, e as marcas da destruição dos seus degelos. Do passeio de barco recordo o azul profundo das águas que, perto de Peulla, se transformam em verde-esmeralda, e dos arborizados taludes que as aprisionam. Seguindo sempre para leste ao encontro dos Andes chega-se a Bariloche, a mais famosa estação de esqui da Argentina.



Mas chegar a esta latitude e não ir ao arquipélago de Chiloé é impensável. Assim, de carro, pela Pan-americana, essa mítica estrada que nasce no Alasca e termina ao sul da Isla Grande de Chiloé, e de lancha, cruzando o canal de Chacao, demorei cerca de quatro horas até Castro, que é a capital da província. Chovia e trovejava violentamente, como sempre acontece na ilha. Charles Darwin quando aí chegou, em 1834, a bordo do Beagle, escreveu, no seu Journal of Researches, que era raro encontrar uma região temperada no mundo em que chovesse tão assiduamente. A maior atracção de Castro é a igreja de S. Francisco, na praça de Armas, revestida com chapas metálicas onduladas, pintadas de salmão e violeta. No centro dessa cuidada praça ergue-se um estranho obelisco violáceo.


Visitei a Feria Artesanal, com uma enorme variedade de bonitos ponchos e camisolas de lã, e deambulei junto às lagunas, aonde pude apreciar os típicos Palafitos, que são habitações parcialmente construídas sobre a água, sustentadas por estacas de madeira. Do lado da rua estas casas têm o aspecto de todas as outras, mas, quando observadas pelas traseiras, vêem-se as delgadas varas que as suportam e aonde os residentes, na maré-alta, amarram os seus botes. A ilha Grande, com cerca de cento e oitenta quilómetros de comprido e cinquenta de largo, é moldada por suaves colinas de florestas abundantes e é uma das regiões mais pobres do país. A sua terra é preta e as tempestades ferozes. Como resultado do trabalho desenvolvido pelos Jesuítas, que para aí foram no séc. XVI, existem mais de cento e cinquenta igrejas para os cerca de cento e trinta mil habitantes. Os chilotes vivem da agricultura de subsistência e da pesca e, embora rudes, são extremamente afáveis.
           


A cidade mais austral do mundo

O voo de Puerto Montt a Punta Arenas foi deslumbrante. Do avião, de um lado, via-se a imensa cordilheira, com os seus altos picos e bojudos vulcões, coroados, aqui e ali, por halos de nuvens baças e, do outro, a costa totalmente retalhada por milhares de tortuosos fiordes. Tinha finalmente chegado à região de Magallanes e Tierra del Fuego. A indústria de lã, a exploração do petróleo e a pesca faz desta província uma das mais prósperas do Chile. É também aqui que se encontra a maior parte dos viveiros de salmão, cuja indústria é a segunda maior do mundo, logo a seguir à Noruega. Punta Arenas, fundada em 1848, tem hoje cerca de cem mil habitantes e é a capital do distrito.



Dois nomes estão intimamente ligados à história desta cidade. O do português José Nogueira, capitão da marinha mercante, que fez fortuna com a caça aos lobos marinhos, e o do espanhol José Menéndez, que fundou a poderosa Sociedad Explotadora del Tierra del Fuego, que controlava mais de um milhão de hectares na região e possuía extensas propriedades no sul da Argentina. Nogueira está ainda associado a uma história relacionada com a descoberta de uma estranha figura em madeira, por ele resgatada dum barco naufragado, que o povo adoptou como a imagem da Virgem da Terra do Fogo, cujo culto ainda hoje persiste. Queimada inadvertidamente pouco tempo depois, supõe-se que se trataria duma estátua da Rainha Vitória de Inglaterra. É no entanto a Magalhães, com toda a aura de bravura que o envolve, que é atribuído o papel de figura emblemática da cidade. Em 20 de Setembro de 1519 saiu de Espanha, de Sanlúcar de Barrameda, uma frota de cinco navios, comandada pelo capitão-general Fernão de Magalhães. Custeada por Carlos V, tinha por missão alcançar as ilhas de Maluco, no Oriente, para tentar provar que estas se encontravam dentro do meridiano que tinha sido atribuído a Castela pelo Tratado de Tordesilhas. E na sua viagem de circum-navegação que seguiu em direcção à América, em vez de tornear África, como era usual, o capitão, segundo António Pigafetta, um nobre vicentino que o acompanhou e que tão precioso relato nos legou, estava decidido a procurar um caminho que atravessasse esse continente. Quando o descobriram, e venceram, deram-lhe o nome das Onze Mil Virgens e ao novo oceano de águas calmas que se lhes deparou, mar Pacífico. Quatrocentos anos após a travessia desse estreito por Magalhães, que hoje possui o seu nome, foi descerrada uma estátua em sua homenagem, da autoria do chileno Guilherme Cordoba, na praça Muñoz Gameiro. Na base do pedestal surgem as figuras alegóricas de uma sereia, segurando nas mãos os símbolos da Espanha e do Chile, e de dois índios, um Selknam, representando a Terra do Fogo, e outro Tehuelche, representando a Patagónia. Dizem os nativos que quem beijar o pé deste índio patagão será bafejado pela sorte e, um dia, regressará. Aproveitei e segui o conselho. A praça, um dos locais mais bonitos da cidade, está cercada por imponentes mansões, como o Club de la Unión ou a antiga sede da Sociedad Explotadora, e pela Catedral. Meio bloco a norte encontra-se a faustosa Casa Braun-Menéndez, hoje transformada em Centro Cultural e Museo de História Regional.



A oeste, na avenida de Espanha, podemos apreciar a exótica moradia, com os seus torreões de pedra e ameias, de Charley Milward, o Marinheiro, primo da avó de Bruce Chatwin, cujo extraordinário diário de viagem, In Patagonia, dedica alguns capítulos à atribulada vida do seu antepassado. O cemitério, com os seus ricos mausoléus, dá uma ideia da grandeza das famílias influentes da região. Do miradouro la Cruz observei, num fim de tarde duma luminosidade estonteante, o amálgama de telhados de cores garridas e, ao longe, os descomunais navios a cruzarem o Estreito de Magalhães. De barco pode-se, na Primavera, ir até à ilha Magdalena para conhecer as colónias de pinguins no Monumento Natural Los Pinguinos. Tinha previsto seguir para sul, em direcção a Ushuaia, junto ao canal Beagle, no “mundo do fim do mundo”, já em solo argentino. Porém, alguém me falou em Calafate e no incomparável Perito Moreno, na Patagónia argentina, e me despertou a curiosidade.     

Glaciares e Guanacos

Percorrer os inóspitos caminhos de terra batida da Patagónia pode ser inesquecível, principalmente se o tempo estiver chuvoso. Como muitas vezes acontece por essas bandas, a camioneta que me transportava atolou na desolada estrada. Por companhia, para além de alguns parceiros de infortúnio e um descontraído motorista, tinha uma fantasmagórica paisagem de retorcidas árvores cinzentas, cuja flor, um amarelado e espinhoso filamento, se assemelha a uma mola. Os chilenos chamam-lhe barba do Diabo enquanto os argentinos a conhecem por lanternim chinês. Já tinha caído a noite quando finalmente chegámos a Calafate. Pequena vila, constituída por meia dúzia de ruas dispostas ortogonalmente, feia e pouco hospitaleira. É, no entanto, um local habitual de pernoita para quem quer conhecer o Parque Nacional Los Glaciares, património mundial da UNESCO desde 1981.


O glaciar Moreno, o mais espantoso de todos, um dos poucos do mundo que se deslocam, que deslizam sobre a sua comprimida base de gelo, tem cerca de trinta e cinco quilómetros de comprimento por quatro de frente e sessenta metros de altura. Devido a excepcionais condições geográficas podemos aproximar-nos dele até uma distância de duzentos metros, quer de barco quer por terra, o que proporciona um espectáculo único. Progredindo ao longo de um vale da cadeia montanhosa dos Andes penetra no canal de Los Témpanos e avança de encontro à terra firme da província de Magallanes, fechando-o. Esta invasão vai interromper a passagem de água do Brazo Rico para o lago Argentino, o que origina, quando o gelo já não aguenta a pressão das águas, que chegam a subir vinte e cinco metros em relação ao seu nível normal, um fantástico rebentamento deste dique natural. A água começa, lentamente, a perfurar a parte inferior do glaciar abrindo um túnel que vai alargando até que, subitamente, toda a estrutura superior colapsa com um fragor tremendo, provocando uma formidável onda de gelo e água. Este fenómeno ocorre normalmente de quatro em quatro anos, embora o último rompimento se tenha dado em Fevereiro de 1988. Em qualquer altura do ano a quietude do lugar, perturbada apenas por ocasionais derrocadas das paredes do glaciar, associada às escultóricas figuras dos blocos de gelo, cujas enormes gretas permitem observar os densos e azuláceos cristais no seu interior, faz deste local um dos mais fascinantes do planeta.


Mas não se pode ir ver o los Glaciares sem se passar igualmente pelo parque Torres del Paine, já no Chile. Para isso é obrigatório cruzar novamente a fronteira, em direcção a sul, e fazer uma escala em Puerto Natales. Cidade simpática, com a sua encantadora praça de Armas, o pequeno porto e os belos cisnes de pescoço negro, a nadarem descontraidamente no Seno Ultima Esperança.


No caminho para o Paine fiz um desvio que me levou à famosa Cueva del Milodón. A gruta foi descoberta em 1890, por Hermann Eberhard, que achou aí um bocado de pele dum animal desconhecido, o Milodón, extinto há mais de 10 mil anos. Foi mais tarde metodicamente explorada pelo arqueólogo Erland Nordenskjold, que pôs a nu uma série de vestígios desse mamífero, que teria cerca de 3m de altura. Entre estes dois acontecimentos surgiram várias lendas que deram origem a peripécias rocambolescas, chegando o jornal Daily Express a financiar uma expedição para o capturar, pois que se suponha ainda vivo.



Com cerca de duzentos e quarenta mil hectares, o Parque Nacional Torres del Paine, que deve o seu nome a pontiagudas formações graníticas, de mais de dois mil e oitocentos metros de altura, com os seus bem organizados trilhos, é um local privilegiado para fazer escalada e trekking. Os circuitos recomendados pela CONAF, Corporación Nacional Forestal, entidade que superintende o parque, podem demorar de dois a sete dias a serem percorridos. Como os percursos não são totalmente isentos de perigo, e já têm acontecido acidentes mortais, está montada uma rede de segurança que permite, quase diariamente, controlar todos os caminhantes. Existem ainda refúgios de montanha e pequenos albergues, que oferecem confortável abrigo em condições climatéricas adversas. As magníficas paisagens com os seus lagos, lagunas, quedas de água e glaciares, e a abundante vida animal, cuja principal atracção são os cerca de três milhares de irascíveis Guanacos, fazem deste parque um dos mais procurados da América do Sul.
             

fotos: migalha, lda

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Oía e Firá, Santorini

Entre meados do séc. XV e finais do seguinte, antes de Cristo, não há ainda consenso em relação à data correcta, uma tremenda erupção vulcânica pulverizou a cúpula do vulcão da ilha de Thera, como era então conhecida Santorini, pertencente a um arquipélago vulcânico situado no mar Egeu a cerca de 200km de distância de Atenas. Essa brutal explosão dos gases que se formaram por debaixo da lava originou uma profunda cratera que foi prontamente invadida pela água do mar alterando assim toda a configuração da ilha, que hoje em dia tem a forma de uma ferradura. Pensa-se que essa derrocada de milhares de toneladas de rocha e lava teve como consequência a formação de um tsunami gigantesco que contribuiu para a extinção da civilização Minóica em Creta. 


A melhor maneira, a mais espectacular, de se chegar a essa ilha é, sem dúvida, de barco. A primeira impressão que temos quando nos aproximamos do porto, Athinios, ao depararmos com aquelas enormes e íngremes paredes com várias centenas de metros de altura esculpidas na vertical, coroadas por pequenas construções geométricas brancas, algumas das quais parecem vacilar irremediavelmente para o abismo, que mergulham numa miríade de tons rosas, amarelos, ocres e pretos na água densa e azul do mar Egeu, é de assombro.


No extremo norte da ilha deparamos com Oía, uma pequena vila construída no topo da falésia da cratera, Caldera, cujas habitações, em alguns casos, são esculpidas no interior da rocha. As ruas são muito estreitas, quase labirínticas, repletas de escadas, e desembocam em solarengos terraços brancos que por aí proliferam. Como antiga colónia de pescadores possui um pequeno porto, Ammoudi, onde, para quem tem pernas para descer, e depois subir, trezentos degraus bastante altos, se pode dar um mergulho em águas límpidas e calmas e aproveitar alguns dos bares que aí existem. 



Um dos encantos de Oía são as muitas igrejas brancas de cúpulas azuis que por aí se dissimulam, encurraladas no meio da urbe de casas de cores tipicamente mediterrânicas. Mas Oía é famosa, para além da sua culinária, pelo pôr-do-sol que atrai milhares de turistas ao fim da tarde para presenciarem o espectáculo, com o inevitável congestionamento de toda a zona.


Bem perto dali, a cidade de Firá, a zona comercial da ilha, o que no entanto não lhe diminui em nada o encanto, parece que se pendura e precipita vertiginosamente pela falésia abaixo. Amplas e apertadíssimas ruas rasgadas na rocha basáltica, entrecruzando-se em ângulos impossíveis, pejadas de lojas, bares, restaurantes, espaçosas esplanadas e muita animação. Possui ainda um pequeno mas interessante museu de arqueologia. 


Curioso, e eficaz, um dos meios de transporte da cidade, que aliás replica o modelo existente em Athinios para quem chega a Santorini e não quer pagar uma dispendiosa corrida de táxi, consiste na utilização de mulas e de burros para esse efeito. Estes são uma alternativa mais económica do que o teleférico que liga Firá ao seu porto, Skála, embora a íngreme descida com seiscentos degraus não seja tarefa fácil nem para os pobres animais de carga.     


É de Skála que partem muitas das excursões por barco que nos levam às ilhotas de Néa Kaméni, onde se localiza o centro do vulcão ainda activo, como aliás atesta o constante fumo sulfuroso que se liberta do subsolo, e de Paleá Kaméni. Antes de se chegar a esta última ilha é "obrigatório" saltar do barco para a água e nadar até uma zona de fontes quentes termais. Estes passeios marítimos são imprescindíveis.



Santorini está ainda associada à famosa Atlântida de Platão pois é um dos locais mais frequentemente apontados para a localização desse romântico mito. Mas Oía e Firá são reais e um dos legados que o povo grego nos presenteia, duas maravilhas construídas pelo ser humano que urge preservar, pese embora a forte instabilidade geológica, que se manifesta através de terramotos e de erupções vulcânicas, tenha provocado inúmeras catástrofes ao longo dos séculos. Mas ao que os gregos sempre responderam de forma corajosa e perseverante.



fotos: migalha, lda

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Independent People


Não consigo, nunca consegui aliás, nomear alguns livros como os mais importantes que li ao longo da minha vida. Há vários que de uma forma ou de outra me tocaram em diferentes etapas do meu crescimento mas são tantos e tão diversificados que não os consigo nem estratificar, categorizar, nem tão pouco perceber bem o quanto me influenciaram. Há no entanto alguns que ainda hoje, repetidamente, afloram à minha memória perante corriqueiros episódios do dia-a-dia. E este é um desses que está um sem número de vezes presente na minha cabeça, principalmente nestes tempos actuais de grande crise económica, social e de identidade de um povo como o nosso. Independent Peolple, Vintage Books, de 1934-35, do escritor islandês Halldór Laxness, Nobel da Literatura em 1955, é um clássico, um épico. Conta-nos a história do resiliente Bjartur de Summerhouses, pastor e poeta, da sua sacrificada família e da feroz luta dos pequenos proprietários islandeses, numa altura em que o pastoreio de ovelhas deixa de ser uma actividade minimamente rentável, contra as inúmeras dificuldades de um país pobre e constantemente sujeito às tremendas e omnipresentes “forças da natureza”. Dá-nos ainda um panorama político, económico e social, muitas vezes satirizado, as conversas entre os amigos de longa data são de uma fina ironia, dos finais do séc. XIX e início do seguinte naquela grande e agreste ilha. Após 18 anos de servidão na propriedade um grande latifundiário, que profundamente despreza, Bjartur decide comprar ao seu patrão um pequeno, e amaldiçoado, terreno de modo a se poder autonomizar e ser um homem livre, um homem independente. Nada o demoverá de ter sucesso nessa árdua tarefa, nem a constante intempérie nem as agruras da sua própria família. Num Inverno particularmente duro, numa altura de grande carência de alimentos para as suas ovelhas, animais absolutamente essenciais para a sobrevivência nos montes, Bjartur, por falta de pasto disponível, decide, contra a opinião de toda a sua família, matar a sua vaca, única fonte de leite disponível para os seus carenciados filhos:

“No power between heaven and earth shall make me betray my sheep for the sake of a cow. It took me eighteen years´ work to get my stock together. I worked twelve years more to pay off the land. My sheep have made me an independent man, and I will never bow to anyone. To have people say of me that I took the beggar´s road for hay in the spring is a disgrace I will never tolerate.”      

As inúmeras dificuldades porque passam aqueles pequenos proprietários, constantemente aliciados para tomarem posição nos conflitos políticos e económicos dos dirigentes comunitários, levam a que a luta pela sobrevivência, e pela dignidade humana, seja a principal força motora de Bjartur. É interessante perceber, ou aprender, que o maior desafogo na economia doméstica destas gentes se dá precisamente na altura da primeira guerra mundial em que o preço do peixe e da carne sobe exponencialmente, beneficiando assim os pescadores e criadores de gado. São muito curiosos, e sarcásticos, os comentários que o nosso herói, no meio de um grupo de pessoas, tece acerca dessa insana batalha:

“Huh, you´re the first I´ve ever heard say that there was any significance behind these wars of theirs nowadays. They´re just madman, pure and simple. It was another matter altogether in the old days, when your heroes sailed off perhaps to distant quarters of the globe to fight for a peerless woman, or anything else which they considered some sort of flower in their lives. But such is not the case nowadays. Nowadays they fight just from sheer stupidity and obstinacy. But, as I´ve said before, stupidity is all right as long as other people can turn it to account”      

Ao longo do desenrolar do romance conseguimos entender, e perdoar, toda a frieza, crueldade mesmo, de Bjartur e até sentir simpatia e admiração por este homem extremamente orgulhoso, corajoso e céptico em relação às “virtudes humanas”. Num diálogo com um dos seus filhos, quando este pretende emigrar para os Estados Unidos influenciado pelo irmão mais novo que há muito lá vivia, solução essa de vida pior do que a morte segundo as palavras de um seu conhecido de longa data, dá-lhe o seguinte conselho:

“It´s a useful habit never to believe more than half of what people tell you, and not to concern yourself with the rest. Rather keep your mind free and your path your own”

Mas este homem empedernido possuía uma brecha de humanidade quando se tratava da sua filha Asta Solillja, apesar de não ser o seu verdadeiro pai, a única pessoa por quem poderia sentir genuíno amor, embora isso só nos seja revelado no final. Só aí é que nós, os leitores, lhe reconhecemos finalmente alguma sensibilidade e ternura pelo ser humano, algo que ele sempre negou através dos seus actos. Nesta intensa narrativa Laxness vai buscar inspiração, e consistência, às intrincadas e densas sagas islandesas a à tradição da poesia oral daquele povo. Um livro tocante de uma força inesperada que não se pode deixar de ler. Um dos grandes clássicos do século passado. Bjartur é inesquecível, imortal. Independente.      

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pingvellir, Islândia

Património mundial da UNESCO, Pingvellir, que não se pronuncia como se escreve, é um local emblemático para os islandeses, ou não fosse declarado parque nacional em 1930, um dos primeiros sítios a obter esse estatuto na Europa (“…um local sagrado protegido, uma propriedade da nação islandesa sob a supervisão do parlamento, que nunca poderá ser vendido ou hipotecado.”, dita a lei dessa altura).  


Localizado a nordeste da cidade de Reykjavik é facilmente acessível por estrada, embora esta no Inverno possa ser muito traiçoeira por causa do gelo. Se bem que toda a ilha seja atravessada por um Rifte, de onde divergem as placas tectónicas norte-americana e euro-asiática, é aqui que os vestígios da sua presença, e expansão, aumenta cerca de um centímetro e meio por ano, se manifestam de uma forma minimamente perceptível ao visitante.


O enorme parque engloba um vale com cerca de quatro quilómetros de largura e quarenta metros de profundidade, em relação à cota do terreno envolvente, o maior lago do país, Pingvallatan, o cone do vulcão Skjaldbreidur, já extinto, e o rio Öxará, com as suas pequenas quedas de água gelada. Se bem que há muitas maneiras de se entrar no parque talvez a mais interessante seja a de começar pelo bonito e bem documentado centro turístico, cuja abordagem na comunicação dos seus conteúdos nos atrai e elucida de uma forma cativante.


Aí, para além de se ter uma impressionante visão sobre a vastidão do local, podemos aprender muito sobre Pingvellir, que não se restringe apenas à beleza natural do sítio. É que Pingvellir, que significa, numa tradução simplista e literal, planície da assembleia, era, entre os anos 930 e 1798, o local onde o Althing, ou “assembleia” islandesa, se reunia. Era aqui que os chefes e populações se encontravam todos os verões para discutir leis, resolver conflitos, socializar e aprofundar a sua identidade enquanto povo.


Após essa interessante e educativa visita o mais aconselhável é entrar no parque a pé através de uma estreita passagem que se desenvolve ao longo de uma enorme parede rochosa do rifte, a Almannagjá, com vários quilómetros de comprimento. Essa massa inerte basáltica, que parece que se vai desagregar a qualquer momento, é misteriosa e imponente. Seguindo esse percurso chega-se a Logberg, espaço onde presumivelmente eram feitos os discursos às massas.  


Embora não se vejam muito claramente os fragmentos de dezenas de antigos abrigos temporários dos clãs, construídos com pedra e turfa, estes locais estão relativamente bem documentados ao longo de vários painéis informativos. O famoso livro do século XII, Book of the Icelenders, Islendlingabók na língua nativa, que descreve os primeiros passos da história da Islândia, dedica uma parte da sua escrita à intensa procura por um espaço conveniente para albergar uma assembleia comunitária, que teria de se localizar numa zona facilmente acessível para todos. E de facto encontraram um lugar muito especial para o efeito.  


Aconselho vivamente, para quem tenha tempo, a passar lá um dia inteiro a deambular pela planície ao longo do rio Öxará. Na direcção do edifício de madeira da igreja, de 1859, pode ver-se a profunda fissura Flosagjá e, no seu extremo, a piscina de águas límpidas Peningagjá. Com ainda mais tempo o visitante pode optar, no verão, por pescar no lago Pingvallatan, mergulhar nas águas geladas do rifte Silfra, onde certamente se deslumbrará com a enorme visibilidade e com as impressionantes paredes verticais das duas placas tectónicas, ou optar por outras actividades ao ar livre.


Perto de uma outra entrada para o parque, mais a este ao longo da estrada principal, existe um pequeno café/restaurante/loja que tem, opinião muito pessoal, os melhores cachorros quentes da Islândia, que são aqui neste país uma verdadeira instituição. É um justo prémio para um dia bem passado no meio de tão rica história e deslumbrante natureza.


fotos: migalha, lda

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cong, Condado de Mayo

Um bom sítio para se começar a explorar o Condado de Mayo, a oeste da República da Irlanda, é a pequena vila de Cong. Confesso que nunca tinha ouvido falar desta zona antes de ter lido, numa dessas revistas de avião que se folheiam por tédio, uma entrevista com a reputada Chef Tamasin Day-Lewis, irmã do conhecido actor Daniel, que tem aí uma casa de férias. Absorvi todo o seu entusiasmo pela beleza do local e sabia que seria um destino a conhecer assim que aterrasse naquele país. Agora compreendo o seu fascínio por esses locais de idílicas paisagens.



Situada numa estreita língua de terra entre dois lagos, Lough Corrib e Lough Mask, Cong é uma vila encantadora onde se pode apreciar, entre muitos dos seus encantos, as ruínas da sua famosa abadia medieval, um mosteiro agostiniano do século XII, erigido por Turlough O´Connor, rei de Connaught. Pensa-se que foi aí que morreu Ruaidrí Ua Conchobair, último rei irlandês antes da invasão normanda.


Toda a área é rodeada por frondosa vegetação onde abundam pequenos lagos, diques, igrejas parcialmente escondidas, caminhos improváveis e magníficos jardins. Passear por essas terras é como fazer uma viagem ao passado. A vila em si, praticamente rodeada por cursos de água, tem uma ou duas pensões para se pernoitar, umas lojas de artesanato, alguns cafés e pouco mais do que isso. Foi aqui que John Ford filmou “The Quiet Man”, que aliás lhe traria mais um Óscar para melhor realizador. Numa entrevista que deu aos Cahiers em 1966, Ford, com humor, refere-se a este filme como sendo a prova que afinal não era tão puritano quanto as pessoas o faziam. Talvez tivesse ficado seduzido nessas longínquas terras pela envolvente romântica do local…  



Em meados do século XIX tentou-se construir um canal navegável que ligasse os dois lagos mas o projecto foi um autêntico fracasso. A porosidade do seu leito calcário fazia com que a água se infiltrasse pelo que nunca funcionou. Ainda se podem ver troços desse estranhíssimo Dry Canal.


Mesmo ao lado de Cong encontra-se o magnífico Ashford Castle, fundado em 1228 e parcialmente reconstruído em finais do século XIX por Lord Ardilaun, da famosa família Guiness, que é hoje em dia um dos mais luxuosos e exclusivos hotéis da Irlanda. Vale a pena consultar o site www.ashford.ie para se verem as fotos aéreas do local pois fica-se com uma ideia da grandiosidade de todo aquele imenso espaço. O hotel também é acessível por barco directamente de Galway, importante cidade universitária e centro das regiões de língua gaélica do oeste irlandês.



A beleza da propriedade, constituída por vários jardins, frondosos bosques e abundantes cursos de água, acessíveis a todos os visitantes, convida a um passeio por entre os seus imensos trilhos, mais ou menos definidos, que nos levam a zonas surpreendentes e algo misteriosas. É útil levar botas pois os caminhos, em função da humidade existente na zona, por vezes, tornam-se bastante difíceis e lamacentos. As surpresas são muitas e, em alguns pontos, deparamos com estranhas estruturas deixadas pelos monges que por aí habitaram. É ir e descobrir...



fotos: migalha, lda